Jornalista da record é detido. Armação ou não?
Abril 20, 2008
Roberto Cabrini foi correspondente internacional da Rede Globo em Londres e Nova York, ganhou os principais prêmios como repórter investigativo (APCA, Líbero Badaró, Imprensa e Vladimir Herzog) e cobriu seis guerras. Começou aos 16 anos de idade em uma rádio do interior de São Paulo e, aos 17, foi contratado pela TV Globo como o repórter mais jovem do telejornalismo de rede do país. Em 28 anos de carreira, Roberto Cabrini cobriu seis guerras internacionais (Afeganistão, Iraque, Palestina, Camboja, Caxemira e Haiti); participou de cinco Olimpíadas e cinco Copas do Mundo; foi correspondente por oito anos – quatro deles em Londres e quatro em Nova York – além de realizar coberturas em mais de 50 países. Fez uma entrevista exclusiva com o ex Secretario do Tesouro do governo Fernando Collor, Paulo Cesar Farias, em Londres. Após passagem pelo SBT, novo retorno à Globo e passagem pela Band, Cabrini hoje é contratado da Rede Record.
Essa semana porém, o jornalista virou notícia sob a acusação de tráfico de drogas.
Cabrini foi detido por policiais civis na noite de ontem, terça-feira (15), portando 10 papelotes de cocaína. o jornalista estava em seu carro no Parque Santo Antônio, na capital paulista, acompanhado de uma mulher que disse ser sua namorada. O jornalista afirmou aos policias que fazia uma reportagem sobre tráfico de drogas e por isso estava de posse da cocaína. Disse também que em outro carro estavam um produtor e o cinegrafista. Todos prestaram depoimento.

Cabrini diz que foi vítima de uma “armação”.
O jornalista pretende relatar a suposta armação da qual se diz vítima na reportagem sobre tráfico de drogas que estaria realizando quando foi preso na região do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, na terça-feira. Porém, Cabrini não soube dizer quando sua matéria será finalizada e, por telefone, evitou falar do teor das denúncias que fará sobre a atuação da Polícia Civil neste caso.
Em seu depoimento na delegacia, o jornalista dá a entender que os dez papelotes encontrados em seu carro teriam sido plantados pelos policiais civis que o abordaram.
Em seu depoimento na delegacia, o jornalista dá a entender que os dez papelotes encontrados em seu carro teriam sido plantados pelos policiais civis que o abordaram.
Apesar disso, a Corregedoria da Polícia Civil não havia aberto investigação para apurar irregularidades no procedimento policial até esta sexta-feira, segundo informou a secretaria de Segurança Pública. De acordo com a polícia, a cocaína foi encontrada no console do banco do passageiro, onde estava sentada a comerciante Nadir Domingos Dias, de 50 anos, a Nádia.
Ela não foi indiciada por conta da droga. Cabrini foi preso em flagrante por tráfico de drogas. Porém, a Justiça entendeu que ele não é traficante e relaxou a prisão.
Ela não foi indiciada por conta da droga. Cabrini foi preso em flagrante por tráfico de drogas. Porém, a Justiça entendeu que ele não é traficante e relaxou a prisão.
- Não fizeram isso comigo de graça. O que existe por trás (da prisão) é grande. “Estamos falando de gente que mata” – disse Cabrini. Ele definiu toda a circunstância como uma “cilada”.
Detalhes do caso:
NÁDIA, A INFORMANTE AMANTE
A mulher que estava com o jornalista no carro no momento da prisão, Nádir Dias, conhecida como Nádia, tem passagem pela polícia por um envolvimento num assassinato e disse ser amante do jornalista e que o mesmo usava cocaína frequentemente. Nádia a todo momento perguntava quem poderia conseguir um contato com a produção do Superpop pois queria levar a público um vídeo no qual Cabrini teria sido filmado cheirando cocaína.
Cabrini alega que Nádia foi sua intermediária na relação com o líder do PCC. Na época, o jornalista realizou uma entrevista com o criminoso. A mulher confirma que o começo de sua relação com Cabrini foi como fonte, mas que, pouco depois disso, teriam se tornado amantes. De acordo com o jornalista, ele teria encontrado com ela na tarde em que foi preso porque ela teria prometido entregar uma fita que comprovasse a veracidade de sua entrevista com o líder do PCC. Segundo o advogado, o vídeo foi obtido por Nádia com uma arma de fogo. Além da coação, o motivo para Cabrini ter aceitado consumir a cocaína foi mostrar boa vontade com Nádia. O motivo para manter a relação seria conseguir uma prova material de uma entrevista feita com Marcos Camacho, o Marcola. O advogado do jornalista nega que ele seja usuário.
Fonte: badarts
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